Pular para o conteúdo principal
Notícia • 18/06/2026

Dia do Orgulho Autista: Clínica-Escola em Santos vira modelo de inclusão e tratamento de excelência pelo SUS

Subtitulo
Pioneira no Brasil, a iniciativa transforma a vida de pacientes e famílias atípicas, inspirando projeto de lei para garantir financiamento federal e a expansão do atendimento gratuito

Celebrado mundialmente no dia 18 de junho, o Dia do Orgulho Autista destaca a importância de compreender o autismo não como um transtorno a ser curado, mas sim como uma variação natural do cérebro humano. Focada na auto aceitação, no respeito e na qualidade de vida da população neurodivergente, a data alerta também para a urgência de políticas públicas efetivas.

A cidade de Santos, no litoral paulista, fez história e agora é um exemplo para todo país. Durante a gestão do então prefeito Paulo Alexandre Barbosa, agora deputado federal pelo PSD, o município criou a Clínica-Escola do Autista, a primeira do tipo no Brasil a realizar atendimento gratuito com diversas especialidades pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O projeto pioneiro nasceu a partir da mobilização de um grupo de mães que lutavam por um espaço adequado para o atendimento dos filhos, necessitando de terapias com fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. A demanda foi abraçada por Paulo Alexandre, que transformou a necessidade em uma política pública de excelência que agora serve de exemplo para outras cidades brasileiras.

Clínica-Escola é um marco na vida das famílias atípicas

A implantação do equipamento público é um divisor de águas para as famílias atípicas. Uma das mães atendidas no local, Renata Almeida de Souza, descreve o impacto do acolhimento na rotina de Eduardo.

“A Clínica, para mim, significou tudo, porque eu estava meio perdida. Eu e o meu filho, a gente conseguiu se achar graças à ajuda dos profissionais do local. Antes ele tinha medo de sair na rua e, agora, ele é um menino totalmente diferente, melhorou bastante a socialização”, explicou Renata.

A percepção é compartilhada por Viviane, mãe do pequeno Lucas, que ingressou na unidade aos seis anos de idade.

“Aqui nós fomos acolhidos. Foi a primeira vez que a gente foi ouvido de verdade. A principal mudança foi a fala. O autista, muitas vezes, não sabe como se aproximar, como se enturmar. E na clínica eles têm esse trabalho e o hoje o Lucas é muito sociável”, disse a mãe que acredita que a intervenção multidisciplinar transformou a forma como o filho interage com o mundo.

O amparo fornecido reflete diretamente no trabalho da equipe técnica. A psicóloga Laura Floripi Reis relatou a gratificação de vivenciar as altas e as melhoras diárias no consultório.

“Eu fico muito emocionada de saber que a gente pode levar esse trabalho para todas as crianças, adolescentes e adultos que a gente atende aqui. Temos serviço de psicologia, de odontologia e outros que normalmente as pessoas não teriam acesso”, contou a psicóloga.

Desafio no SUS e a luta pela expansão

Apesar dos resultados expressivos, o modelo ainda esbarra na falta de financiamento federal, uma vez que o SUS não oferece universalmente esse pacote integrado de terapias gratuitas para crianças e adolescentes autistas. Atualmente, em Santos, a clínica é custeada exclusivamente com recursos municipais.

Agora como deputado federal, Paulo Alexandre Barbosa (PSD) tem atuado em Brasília por meio de um projeto de lei que visa normatizar o serviço e obrigar o Governo Federal a financiar a apoiar equipamentos como este nos municípios brasileiros. Para o parlamentar, a Clínica-Escola Autista é a prova de que políticas de inclusão salvam vidas.

“É justo que o SUS tenha um olhar para as mães e pais atípicos, que possa dar assistência para as famílias e oferecer terapias para as crianças e adolescentes se desenvolverem. A política de inclusão é prioridade, pois as pessoas com deficiência não podem ser apenas parte de um discurso vazio, elas têm que ser prioridade no recurso para que a gente possa implantar equipamentos como esse, que fazem a diferença, em outras cidades”, afirmou PAB.

O Projeto de Lei para alterar a Lei Berenice Piana, que institui a política nacional de proteção dos direitos da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), visa encarregar o Poder Público de instalar Centros de Reabilitação e Estimulação do Neurodesenvolvimento (CREN), modelo seguido pela Clínica-Escola do Autista de Santos.

O deputado tem trabalhado na Câmara viabilizando recursos para que os municípios possam implantar equipamentos como o de Santos.

“A gente já fez isso em algumas cidades, já enviamos recursos para Mairiporã, que agora vai ter a Clínica-Escola Autista; recursos para apoiar equipamentos já existentes que estão se aprimorando, como é o caso de Cubatão e de Guarujá. Nosso objetivo e nosso trabalho é multiplicar esse serviço por todo o estado de São Paulo para que a gente possa atender cada vez mais famílias”, completou o parlamentar.

Paulo também destinou emenda para a Associação Braços Abertos (ABA), de Cruzeiro, no interior de São Paulo. A instituição atende, há 25 anos, pessoas neurodivergentes, oferecendo avaliação, acompanhamento e reabilitação.

Para as famílias atendidas, a aprovação do projeto de lei federal é a esperança de um Brasil mais igualitário.

“Isso tem que acontecer. As dificuldades das pessoas são imensas e tem cidades em que é muito mais difícil o acesso ao atendimento. Se esse projeto for aprovado, vai fazer muita diferença para milhares de famílias”, conclui a mãe atípica Viviane.