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Tá na Midia • 03/07/2026

Paulo Alexandre é o único deputado da Baixada Santista a votar a favor da urgência do projeto que equipara misoginia ao racismo

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Proposta aprovada na Câmara Federal prevê punições mais rígidas para crimes de misoginia, incluindo pena de até cinco anos

Aprovado na Câmara Federal, na quarta-feira (1°), por 293 votos a 158, o regime de urgência na votação de um projeto de lei que equipara o crime de misoginia ao de racismo dividiu os deputados que representam a Baixada Santista. Como se explica na proposta, apresentada em 2023 pela senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) e aprovada em março deste ano no Senado, misoginia é um sentimento de "ódio, repulsa ou aversão às mulheres" e um "crime cada vez mais frequente". Para coibir a prática, ela sugeriu incluí-la na Lei 7.716, de 1989, que já prevê punições por discriminação por motivos de raça, cor, etnia, religião ou nacionalidade com dois a cinco anos de cadeia.

Ao equivaler a misoginia a esses crimes, quem a cometesse não teria direito a deixar a prisão mediante pagamento de fiança, e o crime também seria imprescritível: não importa há quanto tempo ocorresse, o autor sempre estaria sujeito a punição. Ao votar o texto, o Senado acrescentou ao projeto original a previsão de que crimes de calúnia, difamação e injúria tenham pena aplicada em dobro quando cometidos contra mulheres sob violência doméstica e familiar. Da região, os deputados Carlos Alberto da Cunha, o Delegado Da Cunha (União), e Rosana Valle (PL) foram contra a urgência na votação, e Paulo Alexandre Barbosa (PSD), a favor.

Inconsistência. A assessoria de Da Cunha afirma que ele defende punição à misoginia, mas vê "grave inconsistência na política criminal" caso não haja penas maiores para os outros crimes já indicados na Lei 7.716.

Lugar de fala. A nota expressa que Da Cunha, "como preto que já viveu episódios de preconceito - portanto, com lugar de fala -, o parlamentar entende que as sanções atualmente previstas mostram-se insuficientes para refletir a gravidade dessas condutas e seu impacto social".

Insegurança. Rosana, também em nota, declara defender punições por misoginia. Porém, "votei contra a urgência do projeto porque acredito que deve ser melhor discutido, pois o atual texto causa insegurança jurídica".

Vê riscos. "Uma lei imprecisa pode gerar medo de litígios, inclusive no ambiente de trabalho, e acabar criando barreiras em vez de ampliar oportunidades para as mulheres. (...) Esse foi um dos motivos para a Câmara criar um grupo de trabalho e negociar mudanças antes da votação."

Inegociáveis. Defensor da urgência na votação, Barbosa alega que o texto "não trata de ideologia", mas é "um projeto de lei sobre caráter e valores que são absolutamente inegociáveis".

Discursos mortais. "Precisamos, a partir de nossas ações em Brasília, colocar um fim nos discursos de ódio que são vomitados nas redes sociais e que não só ameaçam, mas matam as mulheres diariamente (...). Ser contra a misoginia não é apoiar partido A ou B, mas validar o respeito e a dignidade das mulheres", acrescenta. Não há data para votação na Câmara.