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Tá na Midia • 07/10/2026

Veja quais deputados ligados à infraestrutura de transporte foram reeleitos

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Parlamentares com atuação em rodovias, portos, aeroportos e logística permanecem no Congresso, enquanto outros nomes deixam a Câmara ou o Senado a partir de 2027.

A eleição de 2026 renovou parte significativa do Congresso Nacional, mas alguns dos principais parlamentares com atuação na agenda de infraestrutura de transportes conseguiram manter seus mandatos.

Na Câmara dos Deputados, alguns nomes que participaram de discussões sobre concessões, portos, rodovias e transporte permanecem na Casa para a próxima legislatura.

Entre os reeleitos está o deputado Cláudio Cajado (PP-BA), que foi presidente da CVT (Comissão de Viação e Transportes) da Câmara no último mandato. A comissão concentra parte relevante das discussões sobre concessões rodoviárias, ferrovias, portos, aeroportos e demais temas ligados à infraestrutura de transportes.

Outro nome que permanece é Paulo Alexandre Barbosa (PSD-SP). Com forte atuação política na Baixada Santista, o deputado reeleito tem atuação ligada à agenda portuária. Barbosa é vice-presidente da CVT e preside a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos.

Entre os temas acompanhados pelo parlamentar está a discussão sobre o Tecon Santos 10, futuro megaterminal de contêineres que aumentará em 50% a capacidade de movimentação desse tipo de carga no Porto de Santos. No momento, o projeto está parado por falta de definição governamental sobre o modelo da concessão.

No Rio de Janeiro, Hugo Leal (PSD-RJ) também garantiu mais um mandato. O deputado participou de debates na CVT sobre projetos de infraestrutura e logística e apresentou requerimentos para a realização de audiências públicas sobre os impactos de empreendimentos no setor. Além disso, Leal foi um dos autores da atual Lei e Debêntures.

Em Santa Catarina, Zé Trovão (PL-SC) foi outro deputado ligado à agenda de transportes a conquistar a reeleição. O parlamentar teve atuação nas discussões sobre a política de preços mínimos para o transporte rodoviário de cargas e esteve à frente das negociações relacionadas à chamada MP do Frete, tema que envolve diretamente caminhoneiros, transportadoras e o setor produtivo.

Parlamentares que saem

A Câmara, no entanto, também terá mudanças entre os parlamentares que tradicionalmente acompanham a pauta de infraestrutura. Um dos nomes que não seguirá na Casa é Arnaldo Jardim (Cidadania-SP).

Neste caso, porém, não houve derrota eleitoral: o deputado decidiu não disputar a reeleição após nove mandatos.

Jardim foi o relator do Projeto de Lei que reformula o marco legal das concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas), que no momento está parado no Congresso Nacional. Recentemente, o ex-parlamentar afirmou à CNN, que a matéria terá prioridade no Senado após as eleições.

Ele também relatou o projeto de lei que criou as chamadas debêntures de infraestrutura, mecanismo financeiro de empréstimo para empresas do setor, que auxiliam na captação de investimentos.

Além disso, o parlamentar tem uma atuação ampla no setor. Ele foi o relator do PL dos Minerais Críticos na Câmara dos Deputados, é o autor do PL 3.716/2026, busca revogar a obrigação de que os custos da contratação de baterias sejam rateados apenas entre os geradores e aplicar uma regra geral da reserva de capacidade, que contempla os usuários finais de energia e a participação dos geradores nas hipóteses previstas em lei.

Arthur Maia (União-BA), foi outro parlamentar que não foi reeleito em 2026. Como relator do novo Marco Legal dos Portos, ele articulou a negociação entre trabalhadores portuários e empresas privadas a fim de aprovar o projeto. No entanto, pela falta de entendimento no setor, a matéria segue parada no Congresso desde o meio do ano.

O deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ), autor do Projeto de Lei dos Portos, também não foi reeleito no último pleito, mantendo-se na condição de suplente. Com forte atuação na Comissão de Viação e Transportes da Câmara, o parlamentar atua como interlocutor de agências reguladoras federais em pautas orçamentárias, tendo articulado recentemente um projeto de lei para direcionar 80% do montante arrecadado por essas entidades ao custeio de suas próprias despesas funcionais.

Ele comandou a Secretaria de Transportes do Estado do Rio de Janeiro. Porém, essa passagem rendeu menções em investigações e operações policiais que apuraram suspeitas de irregularidades e pagamento de vantagens indevidas em contratos com empreiteiras — como nas obras da Linha 4 do Metrô — e com o setor rodoviário. A defesa do deputado sempre negou veementemente qualquer prática ilícita, classificando as acusações como infundadas.

Além disso, o parlamentar tem forte atuação no setor de combustíveis e energia. Lopes é presidente da Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares atua contra o mercado ilegal de combustíveis.

Em energia, outro parlamentar que se destaca - porém que foi reeleito - é Fabio Garcia (PSB-MT). Ele já foi diretor da termelétrica Pantanal Energia e apresentou propostas de redução da tarifa da energia elétrica.

Senado Federal

No Senado, a renovação foi mais intensa. Das 54 cadeiras em disputa, apenas uma parte dos senadores que tentaram a reeleição conseguiu permanecer na Casa. Ao todo, 32 senadores disputaram um novo mandato e 18 não conseguiram se reeleger.

Entre as perdas para a agenda de infraestrutura está o senador Esperidião Amin (PP-SC), que não conseguiu a reeleição. Com atuação na CI (Comissão de Infraestrutura), Amin acompanhava temas relacionados a rodovias e concessões em Santa Catarina. Em Santa Catarina, as duas vagas foram ocupadas por Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL).

Outro nome que deixa o Senado é Confúcio Moura (MDB-RO), que desistiu de disputar a reeleição. Em julho, ele afirmou nas redes sociais que as mudanças no cenário político e partidário alteraram as condições em que a candidatura dele havia sido construída.

O senador teve passagem pela presidência da Comissão de Infraestrutura e relatou propostas relacionadas ao financiamento de projetos, incluindo o projeto que deu origem às debêntures de infraestrutura.

O senador Irajá (PSD-TO) também desistiu de disputar a reeleição. O senador anunciou em agosto que deixaria a corrida eleitoral após seu nome não constar na ata da convenção partidária homologada pelo Tribunal Regional Eleitoral. Durante o mandato, Irajá acompanhou temas relacionados à logística aquaviária, em especial projetos de concessões hidroviárias no Tocantins e na região do Arco Norte.

Outro nome que não voltara para o Senado é Marcos Rogério (PL-RO) que concorreu ao cargo de governador em Rondônia e foi eleito no primeiro turno. Rogério foi presidente da CI no mandato que se encerra no final do ano.

A comissão é uma das mais importantes para o setor, porque além de tratar dos temas que afetam a infraestrutura, os senadores que a compõe também são os responsáveis pelas sabatinas dos diretores das agências reguladoras.

Por outro lado, alguns parlamentares com atuação direta no setor permanecem no Senado por mais tempo. Eduardo Braga (MDB-AM), por exemplo, não teve o mandato submetido à votação em 2026 e seguirá na Casa até 2031.

O senador tem atuação em temas relacionados à infraestrutura da região Norte, incluindo a defesa da repavimentação da BR-319 - única ligação terrestre à Manaus - e a forte oposição às concessões hidroviárias que dão acesso à região.

A mesma situação ocorre com Wellington Fagundes (PL-MT). O senador tem mandato até 2031 e é ligado à agenda de logística e transporte de cargas. Ele preside a Frenlogi (Frente Parlamentar de Logística e Infraestrutura).

Além disso, articulou o mandato para diversas agências reguladoras ligadas com o setor. Ele foi o relator das indicações do atual diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Guilherme Theo Sampaio; e dos também diretores da ANTT, Lucas Asfor e Fábio Rogério.

Também permanecem no Senado por mais quatro anos nomes como Tereza Cristina (PP-MS) e Laércio Oliveira (PP-SE). Tereza Cristina tem atuação especialmente relacionada à infraestrutura necessária para o escoamento da produção agrícola e à logística do Centro-Oeste. A senadora também participou das discussões sobre a política de frete durante a tramitação da legislação sobre o tema.

Laércio Oliveira, por sua vez, tem atuação ligada à infraestrutura e ao setor produtivo. Além disso, o senador é autor do PLP 73/2025, que impede o bloqueio de recursos das agências reguladoras federais.

O projeto, aguardado pelas agências reguladoras, deve voltar a tramitar no Congresso Nacional após as eleições, segundo apurou a CNN.